Animais de estimação e bebês podem conviver de maneira segura?

Se você já tinha animais de estimação quando engravidou, deve ter ouvido diversos palpites sobre o que fazer com o pet após a chegada do bebê. Muitos acreditam que essa interação pode causar conflitos ou até mesmo ser perigosa para o recém-nascido. Contradizendo essa crença popular, a veterinária Ana Carolina Hoyos provou que é possível criar uma boa relação entre pets e crianças, mesmo nos primeiros dias de vida. Ela tinha nove cachorros quando ficou grávida.

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De acordo com Ana Carolina, toda criança deveria ter contato com os animais. Para ter sucesso no processo de adaptação, ao chegar da maternidade, a primeira coisa que ela fez foi apresentar o bebê aos seus irmãos de quatro patas. “No início, foi inevitável que eles não ficassem enciumados. Mas, hoje, se a neném chora, eles ficam desesperados e querem acolhê-la”, conta Ana Carolina.

Outra estratégia usada por ela foi de, aos poucos, preparar seus animais para a chegada do novo membro da família. Ela fez com que eles acompanhassem todos os momentos, desde a montagem do quarto até o ensaio de gestante.

Segundo Cátia Fonseca, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP, a interação com os animais auxilia no desenvolvimento da criança, gerando responsabilidade e trazendo grande alegria e afeto para ela. “O contato precoce entre animais de estimação e crianças tem sido estudado também como um fator de dessensibilização para doenças alérgicas futuras, além da redução do estresse”, afirma a pediatra.

Se apresentados de maneira correta, o convívio entre crianças e animais de estimação pode ser benéfico

Os animais domésticos mais comuns são cães e gatos. Os dois têm formas diferentes de se comportar, uma vez que o gato é mais independente e reservado do que o cachorro. “Com o tempo, o gato pode desenvolver uma relação de afeto assim como o cão, mas sua forma de demonstrar é diferente, mais sutil”, explica Gustavo Nogueira, supervisor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira.

Outros animais domésticos comuns são pássaros e coelhos e, para todos eles, é importante ficar atento à rotina de higienização e aos cuidados com a saúde. Tendo isso em mente, não há motivos para os pais ficarem receosos. Se apresentados de maneira correta, o convívio entre crianças e animais de estimação pode ser benéfico para ambos.

Quais são os cuidados necessários para uma interação segura?

Por causa dos passeios e de alguns hábitos, os animais podem carregar agentes infecciosos, capazes de gerar diarreia ou algumas doenças não graves no bebê. Por isso, é preciso manter os banhos e a higiene do animal sempre em dia, uma vez que pode ser difícil evitar uma lambida, por exemplo. Também é importante ter suas vacinações e visitas ao veterinário monitoradas, garantindo que eles estejam vermifugados e com uma boa saúde para que essa relação não traga prejuízos para a criança.

O tamanho do animal em relação à criança deve ser considerado na hora de deixá-la ter contato com os animais domésticos. O porte ideal para esse contato inicial é de pequeno para médio. Isso porque animais grandes, por mais dóceis que sejam, podem ser desastrados e machucar o bebê sem querer. Apesar disso, dependendo de como foi a criação desse pet, ele pode ter contato com as crianças, desde que tenha alguém por perto enquanto eles estiverem brincando.

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Não existe uma raça de cachorro que não se dê bem com crianças porque tudo depende de como eles foram educados. Além disso, a idade do pet não costuma influenciar na adaptação. No entanto, os especialistas acreditam que se um filhote for adotado na mesma época em que um bebê nascer, a adaptação pode ser mais fácil, mas o trabalho será dobrado pois ambos necessitarão de atenção.

Como apresentá-los?

Depois que o bebê tomar todas as vacinas iniciais e o pediatra der o aval para o contato, eles podem começar a interagir, mesmo que seja após poucos dias de vida. Para que isso aconteça de forma tranquila e segura, a aproximação deve ser lenta e cuidadosa. O cachorro, por exemplo, deve ficar no colo do tutor ou em uma coleira enquanto a criança fica no colo de um adulto. “O primeiro contato deve ser feito em ambiente agradável para os dois e sem muitas pessoas em volta. Quando o cachorro está em um ambiente diferente, hostil ou com muitas pessoas, ele pode ter um comportamento não habitual e inesperado”, orienta Catia.

Alguns animais precisam ser adestrados antes de entrar em contato com as crianças. Além disso, é recomendado que os pets já tenham um jeito dócil, que aprecia o contato humano. Tendo essa cautela durante o primeiro contato, a criança pode passar a interagir mais diretamente com ele. Isso acontece, geralmente, a partir do segundo mês de vida, quando a capacidade de interação do bebê já está mais desenvolvida.

Para estimular o contato, os responsáveis devem mostrar para a criança que o animal não causa mal

É necessário que essa interação seja sempre monitorada para que o bebê não se machuque. No caso do cachorro, por exemplo, ele pode querer cheirá-lo ou “cavá-lo” e brincar sem levar em consideração o seu tamanho. Também deve-se tomar cuidado para que a criança não tenha nenhum brinquedo ou objeto na mão que possa agredir ou assustar o cachorro. Afinal, o seu modo de brincar também pode ser inesperado. “Se o bebê começar a chorar, o cachorro poderá se assustar e ver aquele contato como algo negativo”, alerta o veterinário.

Para que a interação seja completamente segura, é preciso confiar no seu animal e saber que ele foi educado corretamente. “Os cachorros veem os humanos como parte de uma matilha e o tutor precisa ser o líder dela. Se eles veem a si mesmos como líderes, podem enxergar o bebê como uma ameaça e irão defender a matilha”, diz Gustavo.

E se eles não se derem bem?

Um primeiro contato inadequado pode levar a criança a desenvolver medo do animal. “Também é importante tomar cuidado com ameaças que os pais ou cuidadores fazem envolvendo animais, principalmente cães e gatos, em momentos em que se quer que a criança faça algo. Falas como ‘se você não comer, vou dar tudo para o gato’ ou ‘o cachorro vai te pegar’ podem gerar este bloqueio futuramente”, explica a pediatra.

Para estimular o contato, os responsáveis devem mostrar para a criança que o animal não causa mal e ir aproximando-a de forma gradual e lenta. Isso fará com que ela veja o animal como um ser vivo, que necessita de cuidados e amor. Outra dica é dar o exemplo e mostrar que o animal precisa de cuidados. A criança deve entender que ele come, bebe e tem suas necessidades. “É importante que ela entenda que o animal brinca, mas também tem seu horário para dormir, por exemplo”, aconselha Catia.

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Conforme a criança vai crescendo, é importante delegar a ela pequenas responsabilidades deste cuidado, como colocar a ração na vasilha, trocar a água e acompanhar na vacinação. Com isto, ela compreenderá o significado de ser responsável e, consequentemente, o amor entre eles vai se fortalecendo, até tornarem-se dois grandes e inseparáveis amigos.

O cachorro sente ciúmes. O que fazer?

É natural que o animal, principalmente o cachorro, fique ansioso no primeiro contato com o bebê e durante o período de adaptação. O novo membro da família é uma grande novidade e trará mudanças significativas para a casa. “Eles podem ter ciúmes da criança pois, até então, viviam sozinhos com seus tutores e, agora, terão menos atenção”, afirma Gustavo. “Por isso, até que se acostumem com o novo morador da casa, os animais devem ter contatos mais breves e sob supervisão e intervenção do tutor”, aconselha o veterinário.

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Para facilitar essa adaptação, uma dica é premiar o cachorro se ele se comportar ao ficar perto do bebê. Você pode dar petisco ou fazer festa como um reforço positivo de que aquela aproximação será boa para ele. “Outra boa atitude é, ao estar brincando com o bebê no carrinho, por exemplo, usar a outra mão para acariciar o cachorro”, sugere o veterinário. Além disso, evite expor a criança ao contato com o animal durante seu momento de alimentação. Nesta situação, o pet pode ficar mais agressivo na tentativa de defender o seu território.

Foto: Getty Images

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